segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Pais de crianças com diabetes demonstram preocupação com a volta às aulas

 

Projeto de educação em diabetes nas escolas. Foto: Instituto da Pessoa com Diabetes

A preocupação com as crianças que têm diabetes aumenta entre os pais e responsáveis neste período de volta às aulas. Por passarem muito tempo longe de casa é possível que uma criança com diabetes apresente necessidades especiais durante a aula que exigem o apoio de professores e auxiliares, mas não são todas as escolas que tem uma equipe pedagógica preparada para receber e atender uma criança com diabetes.
 

Esse é o caso da auxiliar de produção Stefane Veronica Machado de Souza, mãe da Mirelly Souza Vuicik, de 9 anos, diagnosticada com diabetes em novembro de 2023. "Tenho medo da minha filha passar mal, ter uma hipoglicemia, e a escola não saber como agir. Ela fica comigo o dia inteiro, então posso ficar de olho na glicemia dela. Mas agora, com a volta às aulas, fico mais preocupada", conta Stefane sobre os medos de ficar longe da filha durante o período em que ela estiver na escola.
 

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que afeta a produção de insulina pelo pâncreas. Cerca de 600 mil pessoas têm diabetes tipo 1 no Brasil, sendo que a maioria dos diagnósticos ocorrem na infância e adolescência.
 

De acordo com Mauro Scharf, endocrinologista pediátrico do Instituto da Pessoa com Diabetes, o medo dos pais é real e também compartilhado pelos professores, já que o diabetes exige cuidados especiais em que muitas vezes a escola não tem conhecimento nem instrução sobre como agir.
 

"Os professores não estão acostumados com as necessidades de um aluno com diabetes, como medir a glicemia várias vezes ao dia, aplicar insulina durante a aula, ou comer um lanche fora do intervalo para evitar uma hipoglicemia. Muitos nem sabem identificar os sinais de uma hipo. Outro ponto é que as crianças são curiosas, então os colegas de turma podem achar diferente as necessidades de uma criança DM1. Por isso é extremamente importante que haja uma conversa entre a família e a escola sobre essa nova realidade", explica o endocrinologista.
 

Stefane conta que na escola da filha, a diretora e a pedagoga foram muito receptivas com a notícia, conversaram e também já tinham um pouco de conhecimento sobre a doença, mas não o suficiente para agir em uma emergência. "Nas últimas aulas do ano passado, logo após o diagnóstico, a Mirelly tinha hipoglicemias e a escola sempre me ligava para eu buscá-la porque não sabiam o que fazer", afirma Stefane que para esse ano já tomou a iniciativa de imprimir cartazes sobre os sintomas da hipoglicemia. "A ideia é levar para a escola e colocar nas paredes das salas e corredores. É uma forma de me tranquilizar também, mas sei que tem muito mais a ser feito", afirma.
 

ABC Diabetes realiza palestras gratuitas em escolas municipais de Curitiba. Foto: Instituto da Pessoa com Diabetes


ABC Diabetes nas escolas
Em Curitiba, a lei 16083/2022, de autoria do vereador Alexandre Leprevost, prevê que todas as escolas municipais façam campanhas de educação em diabetes em novembro, mês mundial do diabetes, para conscientizar professores, alunos e pais sobre os sintomas da doença e a importância do diagnóstico precoce. Desta lei surgiu o projeto ABC Diabetes, realizado pelo Instituto da Pessoa com Diabetes, que promove palestras com pais e professores em escolas que têm alunos com diabetes.
 

"O objetivo é levar informação para escola. Sabemos que é um momento difícil tanto para a família quanto para a equipe pedagógica, então nosso papel é explicar o que é o diabetes, como a escola pode ajudar, o que fazer durante uma hipoglicemia, e ainda realizamos um trabalho de educação com as crianças, para que elas entendam e acolham o colega com diabetes da melhor forma possível", explica Angela Nazário, médica endocrinologista e presidente do Instituto da Pessoa com Diabetes.
 

A Beatriz Gomes Paixão de 11 anos, diagnosticada com diabetes tipo 1, foi a primeira aluna alcançada pelo projeto. A mãe Erika Gomes Paixão conta que a palestra na escola trouxe um alívio para todos.
"A gente fica mais tranquilo pelo fato da escola agora ter essas informações e saber o que fazer. Na palestra eles falaram sobre a Bea precisar ir mais ao banheiro, se alimentar mais vezes, foi muito bom. Os professores vieram conversar comigo depois e falaram que estavam mais tranquilos também para receber a Bea no dia dia", afirma.
 

Instituto da Pessoa com Diabetes realiza projetos para informar e acolher crianças e adolescentes nas escolas municipais de Curitiba. Foto: Instituto da Pessoa com Diabetes


Instituto da Pessoa com Diabetes
Apenas em novembro de 2023, mais de 1000 pessoas foram beneficiadas com os projetos de educação do IPD e campanhas de conscientização sobre o diabetes. A expectativa é que muitas outras famílias possam ser alcançadas pelo projeto. "A escola precisa ser um ambiente acolhedor para as crianças com diabetes, e as famílias devem encontrar na escola a certeza de que seus filhos estarão seguros. A educação em diabetes é essencial", finaliza Angela.