Teatro de graça: Maíra Lour dirige clássico do pai, Enéas Lour, em temporada gratuita no Boqueirão
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Texto escrito em 1982, inspirado por uma pergunta da filha, ganha nova montagem pela Súbita Companhia de Teatro que discute a guerra sob a perspectiva da infância
Em 1982, diante das imagens da Guerra das Malvinas transmitidas pela televisão, uma menina de apenas 3 anos olhou para o pai e fez uma pergunta simples, mas profunda: "Pai, por que é que eles brigam?". O pai era o dramaturgo paranaense Enéas Lour, que transformou a curiosidade inquieta da filha no texto da peça BATIMPAZ, que se tornaria um clássico do teatro para as infâncias.
Mais de quatro décadas depois, a menina Maíra Lour, hoje diretora de teatro, assume a direção artística da nova montagem realizada pela Súbita Companhia de Teatro. A obra, premiada pelo Troféu Gralha Azul nos anos 80, atravessa a memória das artes cênicas paranaenses e segue levando aos palcos a poesia de questões que permanecem urgentes no presente: a guerra, a violência e a maneira como as crianças percebem e elaboram o mundo ao seu redor.
A nova montagem de BATIMPAZ coloca em movimento a memória viva do teatro quando promove o encontro entre diferentes gerações de artistas que contribuíram para a história do teatro paranaense. Além de homenagear a trajetória do artista Enéas Lour, falecido em 2024, o projeto reúne profissionais que participaram da montagem original, como Fátima Ortiz, diretora do espetáculo na década de 80, Beto Bruel, responsável pela iluminação, e Rosy Greca, que retorna à obra como preparadora vocal. O artista Guga Cidral que assistiu a peça quando criança, agora colabora com a nova criação. Na sala de ensaio da Súbita Companhia, diferentes gerações de artistas compartilham experiências, memórias e saberes, reafirmando a importância de BATIMPAZ na história do teatro para as infâncias.
"Acredito que o teatro para as infâncias deve abordar de maneira poética, alegre e envolvente as questões que atravessam nossas vidas cotidianas. BATIMPAZ é um texto muito bonito, que questiona a guerra de um jeito corajoso e sensível, e por isso, segue sendo tão importante", observa Maíra.
Marco paranaense do teatro para as infâncias desde os anos 80
A montagem original de 1982 marcou época nas artes cênicas de Curitiba e recebeu o Troféu Gralha Azul em duas edições: Melhor Texto de Teatro Infantil para Enéas Lour (1982) e Melhor Direção de Teatro Infantil para Fátima Ortiz (1985). Além de encenada por companhias profissionais, a peça tornou-se um clássico do repertório para as infâncias, sendo adotada por escolas, educadores e cursos de teatro ao longo das décadas. Em 1997, BATIMPAZ foi publicada na coletânea "4 textos de teatro para crianças" dos autores Fátima Ortiz e Enéas Lour, juntamente com Era Uma Vez Outra História (1976), Ari Areia – Um Grãozinho Apaixonado (1990) e Pinha, Pinhão, Pinheiro (1984).
Atualidade do tema
Mesmo criada no contexto da Guerra das Malvinas, nos anos 80, a obra ganha ainda mais relevância nos dias atuais, visto que o mundo segue enfrentando guerras e conflitos bélicos. Hoje, a reflexão ganha novos contornos pelo amplo acesso das crianças a mídias digitais e jogos de guerra em celulares, tablets e TVs. Em meio ao contexto atual, BATIMPAZ retoma a potência da brincadeira, da imaginação e da utopia para propor uma reflexão crítica e poética sobre a guerra e a violência.
SINOPSE
Em um dia chuvoso, três crianças resolvem brincar de guerra. Durante a brincadeira, surgem perguntas inquietantes, como: "Por que será que se começa uma guerra?". No universo mágico do quarto de brincar, duas grandes almofadas ganham vida e se transformam em generais que comandam países em disputa pela posse de uma ilha. Em busca do coração da ilha, as crianças descobrem, de forma lúdica, poética e bem-humorada, o completo absurdo da guerra. Entre a imaginação e a utopia, convidam o público a inventar outras possibilidades de futuro e sonhar com um mundo em paz.
Sobre a Súbita Companhia
A Súbita é um coletivo artístico curitibano que em 2027 completará 20 anos de atuação, sendo reconhecido como um dos principais grupos de teatro do Paraná. Ao longo desta trajetória, a companhia produziu 19 peças, cenas curtas, curtas-metragens, publicações de dramaturgia, além de ter conquistado diversas premiações como Troféu Gralha Azul 2025 de Melhor Direção por "Deriva" e Melhor Espetáculo por "O medo da morte das coisas".
Ficha técnica
TEXTO: Enéas Lour
DIREÇÃO ARTÍSTICA: Maíra Lour
INTERLOCUÇÃO ARTÍSTICA: Fátima Ortiz e Guga Cidral
DIREÇÃO DE MOVIMENTO: Juliana Adur
ELENCO: Dafne Viola, Gabriel Martins, Lucri Reggiani, Renata Bruel e Zeca Sales
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Anna Wantuch
CENOGRAFIA: Gabrielle Windmuller
FIGURINOS: Cristina Rosa
ILUMINAÇÃO: Beto Bruel
PRODUÇÃO MUSICAL, ARRANJOS E DESENHO DE SOM: Álvaro Antônio
PREPARAÇÃO VOCAL: Rosy Greca
VOZ OFF: Isadora Lour
ASSISTÊNCIA DE FIGURINOS: Stephanie Fernandes
ADEREÇOS E CENOTECNIA: Fernanda Stancik
CENOTECNIA: Jeff Bononi
COSTURA: Jenny Berté, Natalicia Lopes e Salete Baroni
DESIGN GRÁFICO: Pablito Kucarz
ILUSTRAÇÕES: Manuela Lour
CRIAÇÃO DE CONTEÚDO: Gabi Coutinho e Gabriela Berbert
REDES SOCIAIS: Gabriela Berbert
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adriane Perin
REGISTRO FOTOGRÁFICO: Carol Castanho
REGISTRO EM VÍDEO: Lídia Ueta
CAPTAÇÃO DE RECURSOS: Meire Abe
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Gilmar Kaminski
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Dânatha Siqueira
REALIZAÇÃO: Súbita Companhia de Teatro e Flutua Produções
Serviço
O que: Temporada de "BATIMPAZ"
Quando: De 24 de outubro a 01 de novembro. Sábados às 15h30 | Domingos às 10h30
Onde: Centro Cultural Boqueirão - R. José Guercheski, 281 - Boqueirão, Curitiba/PR
Quanto: Entrada gratuita - ingressos distribuídos 30 minutos antes das apresentações
"Batimpaz" conta com incentivo da Bosch
Mais informações: instagram.com/subitacompanhia
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos

Comentários