Um pedido de socorro ignorado pelo poder público, mas acolhido pela empatia das pessoas
Há horas estamos vivendo uma situação angustiante na empresa do meu marido, a Beauty Tech em Curitiba: um filhote de urubu caiu em um fosso e está preso, sem conseguir sair. O Corredor fica entre a janela do banheiro e o muro da loja ao lado extremamente alto.
Desde o primeiro momento, nossa prioridade foi garantir a segurança e o bem-estar desse animal, que é protegido por lei e faz parte da nossa fauna. Infelizmente, o que parecia uma obrigação dos órgãos competentes se transformou em um jogo de empurra e omissão.
Ligamos para todas as autoridades ambientais possíveis. Acionamos o Corpo de Bombeiros, a Prefeitura e os órgãos de fiscalização do meio ambiente. A resposta de todos foi a mesma: ninguém vai retirar. É inadmissível que os serviços públicos, mantidos pelos impostos de todos os cidadãos, simplesmente deem as costas e demonstrem total falta de preparo e boa vontade diante de uma vida indefesa e de um problema real dentro de um estabelecimento comercial.
Além de se recusarem a vir fazer a retirada, recebemos uma sugestão absurda: fomos orientados a capturar o filhote por conta própria e levá-lo até os órgãos. Como se espera que funcionários de uma loja façam isso? Nós não temos o preparo técnico, os equipamentos de proteção e nem o treinamento necessário para manusear um animal silvestre de forma segura. Tentar o resgate por conta própria coloca em risco tanto a nossa integridade física quanto a vida do próprio filhote.
É inadmissível que os serviços públicos deem as costas e transfiram para o cidadão uma responsabilidade que é estritamente deles
Apenas um deputado demonstrou solidariedade e tentou nos ajudar mas da mesma maneira ficou tendo a equipe de um lado para o outro sem conseguir nenhum resultado.
Se por um lado esbarramos na burocracia e no descaso do Estado, por outro fomos abraçados pela solidariedade humana. Queremos expressar nossa profunda gratidão aos jornalistas, à imprensa e a tantas pessoas nas redes sociais que se mobilizaram imediatamente. Ver o suporte, o compartilhamento e a preocupação genuína de cidadãos comuns e profissionais da comunicação nos dá forças e mostra o poder da comunidade. Enquanto quem tem o dever de agir cruza os braços, são as pessoas comuns que estendem a mão.
O dia seguinte
Não vamos desistir de tirar esse filhote dali em segurança. Continuaremos pressionando e buscando alternativas, agora com o apoio de uma rede que provou que a empatia ainda fala mais alto do que a omissão pública.
Obrigada a todos,
Claudia Cozzella
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