Avaliação cardiológica deve ser individualizada e pode incluir exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico, de acordo com o histórico e as necessidades de cada paciente
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo, aproximadamente 30% de todos os óbitos anuais segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em muitos casos, podem evoluir de forma silenciosa. Por isso, manter consultas regulares com o cardiologista é uma importante estratégia de prevenção, especialmente para pessoas com fatores de risco, histórico familiar ou sintomas.
No Dia do Cardiologista, celebrado em 14 de agosto, a cardiologista Juliana Filgueiras, professora de Medicina na São Judas Unimonte, cujo curso de Medicina integra a Inspirali, ecossistema responsável pela gestão de 15 escolas médicas em diferentes regiões do Brasil, explica que o acompanhamento não significa necessariamente realizar uma lista fixa de exames todos os anos.
“O check-up cardiológico deve ser individualizado. A consulta é o primeiro passo para avaliar fatores de risco, histórico familiar, hábitos de vida e possíveis sintomas. A partir dessa avaliação, o médico define quais exames são realmente necessários para cada paciente”, explica.
Quais exames podem ser solicitados?
Entre os exames mais conhecidos está o eletrocardiograma, que avalia a atividade elétrica do coração e pode identificar alterações no ritmo e outros sinais que precisam de investigação. O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) acompanha a pressão durante cerca de 24 horas, inclusive durante o sono, sendo utilizado principalmente para investigar e acompanhar casos de hipertensão. Já o Holter registra continuamente os batimentos cardíacos durante as atividades do dia a dia e pode ser indicado para investigar sintomas como palpitações, tonturas e desmaios.
Outro exame que deve ser solicitado é o ecocardiograma, conhecido como ultrassom do coração, permite avaliar a estrutura e o funcionamento do órgão, incluindo câmaras, válvulas e capacidade de contração. Quando associado ao Doppler, também possibilita analisar o fluxo sanguíneo.
Por fim, o teste ergométrico, realizado durante atividade física controlada pode ser pedido pelo cardiologista. Ele permite observar o comportamento do coração durante o esforço e pode ser solicitado em determinadas situações, especialmente quando há sintomas relacionados à prática de exercícios.
É preciso fazer todos esses exames todos os anos?
Não. A indicação depende das características de cada paciente. Pessoas sem sintomas e com baixo risco cardiovascular podem não precisar realizar exames complementares com frequência. Já quem apresenta hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico familiar de doenças cardiovasculares, sedentarismo, tabagismo ou sintomas pode necessitar de acompanhamento mais próximo.
“Mais importante do que realizar uma bateria de exames sem indicação é manter uma rotina de acompanhamento médico. O cardiologista consegue avaliar o risco cardiovascular e identificar quais medidas são necessárias para prevenir doenças ou acompanhar alterações já existentes”, afirma Juliana.
Por que manter o acompanhamento?
A consulta com o cardiologista não deve acontecer apenas quando surge um sintoma. O acompanhamento preventivo ajuda a monitorar fatores de risco, acompanhar mudanças ao longo do tempo e orientar hábitos que contribuem para a saúde cardiovascular.
Entre os principais cuidados estão:
- Faça consultas periódicas: a frequência deve ser definida de acordo com a idade, histórico e condições de saúde de cada pessoa;
- Conheça seus fatores de risco: pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar merecem atenção;
- Não ignore sinais: dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações, desmaios e cansaço incomum durante esforços devem ser avaliados por um profissional;
- Mantenha hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e controle do estresse também fazem parte da prevenção;
- Não faça exames por conta própria: o cardiologista é o profissional indicado para definir quais avaliações são necessárias e interpretar os resultados.
“Cuidar do coração é um processo contínuo. A prevenção começa antes do aparecimento de uma doença e passa por consultas regulares, hábitos saudáveis e atenção aos sinais que o organismo apresenta”, conclui a cardiologista

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