MAM abre inscrições para projeto gratuito de práticas em arte contemporânea voltado a artistas com deficiência intelectual e autismo

 

Museu lança iniciativa pioneira no Brasil desenvolvida em parceria com o projeto de pesquisa Inclusive Art for Wicked Problems [Arte inclusiva para problemas complexos], da Universidade de Leeds, no Reino Unido, para fortalecer a produção artística e ampliar a participação de artistas com deficiência intelectual e autismo no circuito da arte contemporânea
 

MAM São Paulo. Foto: Ding Musa e João Musa.

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) abre, no dia 17 de agosto, inscrições para o projeto Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea, uma iniciativa destinada a pessoas com deficiência intelectual e autismo, maiores de 18 anos, residentes em São Paulo. As inscrições poderão ser feitas até 4 de setembro de 2026, às 11h, por meio do formulário disponível em mam.org.br/educativo/atelie-aberto.

 

O projeto vai acontecer ao longo de 20 encontros presenciais, realizados entre 9 de outubro de 2026 e 14 de maio de 2027, sempre às sextas-feiras, das 14h às 16h30, na sede do museu, no Parque Ibirapuera. Os participantes selecionados irão desenvolver seus processos criativos em um percurso que reúne práticas de ateliê, conversas, visitas culturais e acompanhamento artístico.

 

O projeto faz parte do Ateliê Aberto, um programa do MAM Educativo que oferece cursos e oficinas gratuitas em diversas linguagens artísticas, e convidam o público a vivenciar, na teoria e na prática, a arte contemporânea em um ambiente criativo, inclusivo e acessível para todas as pessoas, independente de suas condições físicas, sociais ou cognitivas.

 

Realizado em colaboração do MAM com a Dra. Jade French da Universidade de Leeds, do Reino Unido, e com a Dra. Viviane Panelli Sarraf, pesquisadora da Universidade de Leeds e professora colaboradora do PPGMus-USP e da PUC-SP/PUC Minas, Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea integra o projeto de pesquisa internacional Inclusive Art for Wicked Problems [Arte inclusiva para problemas complexos] e tem como modelo o trabalho realizado por outros participantes desta iniciativa, como o coletivo artístico e organização beneficente Pyramid.

 

O programa representa um novo passo do MAM na promoção da acessibilidade e da inclusão, fortalecendo a participação de pessoas com deficiência na produção artística contemporânea e incorporando à programação do Educativo do museu o conceito de ateliê apoiado (supported studio). Consolidado em países como Reino Unido, Austrália e Canadá, esse modelo consiste em um programa contínuo de apoio à prática artística de pessoas com deficiência, que combina espaço de criação, acompanhamento artístico, desenvolvimento profissional e oportunidades de participação no circuito das artes visuais. Seu objetivo é oferecer condições para que cada artista desenvolva sua pesquisa e sua produção com autonomia. Ainda pouco difundido no Brasil, o modelo busca ampliar as possibilidades de experimentação, criação e reconhecimento profissional de artistas com deficiência.

 

Ao longo do projeto, os participantes irão experimentar diferentes linguagens da arte contemporânea, como desenho, pintura, gravura, escultura, ready-made e instalação. Os participantes podem solicitar o custeio de transporte e profissional de apoio durante as atividades.

 

A criação do projeto é resultado de uma colaboração entre o MAM, a pesquisadora Dra. Jade French e a pesquisadora brasileira Dra. Viviane Sarraf, especialista em acessibilidade cultural. A iniciativa integra a bolsa de pesquisa Future Leaders Fellowship da Dra. Jade French, financiada pela UK Research and Innovation (UKRI), que investiga como práticas artísticas inclusivas podem ampliar a participação de pessoas com deficiência na produção de conhecimento e contribuir para a transformação de instituições culturais.

 

Como parte desse processo, profissionais da curadoria e do MAM Educativo participaram de um intercâmbio no Reino Unido em 2025 para conhecer experiências de ateliês apoiados e compartilhar a trajetória do museu em acessibilidade e educação. A partir dessa troca, foi desenvolvido um projeto adaptado ao contexto brasileiro, baseado na cocriação, na experimentação e no reconhecimento dos diferentes modos de fazer arte.

 

"Essa cooperação internacional com a Universidade de Leeds é um marco fundamental para o MAM. Trazer a metodologia dos ateliês apoiados para o contexto brasileiro reafirma o nosso compromisso com a democratização do museu e com a construção de um circuito de arte genuinamente diverso e plural. Nosso objetivo vai além de abrir as portas para pessoas com deficiência intelectual e autistas: queremos oferecer espaço, escuta e acompanhamento profissional para que desenvolvam suas pesquisas poéticas com autonomia, já que a arte contemporânea só se realiza plenamente quando reflete a multiplicidade de vozes e experiências que compõem a nossa sociedade", diz Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo.

 

Para a Dra. Jade French, "as práticas artísticas inclusivas oferecem ferramentas potentes para enfrentar desafios sociais complexos, criando espaço para que artistas com deficiência intelectual exerçam protagonismo, inovem e possam redefinir a forma como o valor cultural é produzido e compartilhado. Trabalhar com a Dra. Viviane Sarraf e com a equipe do MAM tem sido uma experiência extremamente estimulante e produtiva, demonstrando como os conhecimentos locais podem dialogar com trocas internacionais. Por meio dessa parceria, estamos repensando estruturas consolidadas e cocriando novas formas de atuação que colocam a experiência e o conhecimento de artistas com deficiência intelectual e neurodivergentes no centro desse processo".

 

Sobre o Museu de Arte Moderna de São Paulo
 

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma instituição cultural sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, preservação, produção e difusão da arte moderna e contemporânea. Localizado no Parque Ibirapuera, a maior área verde da cidade de São Paulo, o museu abriga um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea do país, com mais de 5 mil obras, em sua maioria de artistas brasileiros.
 

Além de sua programação de exposições, o MAM promove cursos, seminários, palestras, performances, atividades educativas e programas de formação artística voltados a diferentes públicos. Entre suas principais iniciativas estão o Panorama da Arte Brasileira, um dos mais importantes projetos dedicados à produção contemporânea no país; o Clube de Colecionadores, referência nacional no incentivo ao colecionismo e à produção de múltiplos; e o MAM Educativo, pioneiro entre os museus brasileiros, que desenvolve ações de mediação, formação e acessibilidade para públicos diversos.
 

Comprometido com a democratização do acesso à cultura, o museu oferece recursos de acessibilidade como visitas mediadas em Libras, audiodescrição e videoguias em Libras, além de desenvolver programas voltados à inclusão e à participação de pessoas com deficiência. Sua Biblioteca Paulo Mendes de Almeida reúne um acervo especializado com cerca de 65 mil livros, periódicos, documentos e materiais audiovisuais, consolidando o MAM como um importante centro de pesquisa em arte moderna e contemporânea.

Saiba mais em www.mam.org.br e acompanhe o museu nas redes sociais: @mamsaopaulo.
 

Sobre a Universidade de Leeds – Escola de Belas Artes, História da Arte e Estudos Culturais
 

Fundada em 1904, a Universidade de Leeds é uma das maiores universidades do Reino Unido. A instituição integra o Russell Group, grupo que reúne as principais universidades britânicas dedicadas à pesquisa, e é reconhecida internacionalmente pela excelência de seu ensino e de sua produção científica.
 

Desde a criação da Escola de Belas Artes, História da Arte e Estudos Culturais, em 1949–1950, a unidade destaca-se por sua abordagem crítica, inovadora e socialmente engajada nas artes. A Universidade de Leeds foi a primeira instituição inglesa a oferecer um curso de graduação em Belas Artes. Seu primeiro professor da área, Maurice de Sausmarez, trabalhou em estreita colaboração com Herbert Read e Quentin Bell para desenvolver e renovar o ensino de arte.
 

No final da década de 1970, importantes historiadores e teóricos da arte, como T. J. Clark, Fred Orton e Griselda Pollock — hoje reconhecidos internacionalmente por suas contribuições às chamadas "novas histórias sociais da arte" — passaram a integrar o corpo docente da Escola. Nas últimas quatro décadas, a instituição consolidou sua reputação internacional por pesquisas e práticas que investigam, questionam e transformam hierarquias e tradições no campo das artes.
 

Sobre a Dra. Jade French
 

A Dra. Jade French é professora associada da Escola de Belas Artes, História da Arte e Estudos Culturais da Universidade de Leeds. Sua pesquisa situa-se na intersecção entre práticas artísticas inclusivas, estudos da deficiência e pesquisa-ação baseada em arte, desenvolvida a partir de colaborações de longo prazo com artistas com deficiência intelectual e artistas neurodivergentes.
 

Seu trabalho investiga como práticas artísticas inclusivas e programas de ateliês apoiados (supported studios) podem funcionar tanto como espaços quanto como metodologias para a produção de conhecimentos mais justos e inclusivos, capazes de revelar, questionar e transformar as condições sociais, políticas e estruturais que impactam a vida de pessoas com deficiência intelectual.
 

Em 2024, recebeu uma bolsa UKRI Future Leaders Fellowship, no valor de £ 1,5 milhão, para desenvolver o projeto Inclusive Art for Wicked Problems [Arte inclusiva para problemas complexos]. Integra o Conselho Executivo do Centro de Estudos sobre Deficiência da Universidade de Leeds, liderou e colaborou em importantes projetos financiados pelo Arts and Humanities Research Council (AHRC) e é autora de uma monografia e diversos artigos científicos revisados por pares. É reconhecida internacionalmente por sua liderança e inovação metodológica na pesquisa em artes inclusivas.
 

Sobre a Dra. Viviane Panelli Sarraf - Museus Acessíveis
 

Curadora do Centro de Memória Dorina Nowill, Pesquisadora da Universidade de Leeds – Reino Unido. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia da USP, do Curso de Especialização em Museologia, Cultura e Educação da PUC-SP e do Curso de Especialização em Audiodescrição da PUC Minas. Fundadora e consultora da empresa social Museus Acessíveis (2006). Consultora de Acessibilidade em Espaços Culturais da ANIA - Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas e Conselheira de Diversa Arte e Cultura.
 

Foi Professora Visitante do Programa de Pós-Graduação em Museologia da Universidade Federal da Bahia, líder do Grupo de Pesquisa Acessibilidade e Interseccionalidade em Museus da UFBA, consultora da OEI para criação de Programa de Acessibilidade em Museus do IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus (2023) e da UNESCO para Projeto PRODOC da SECEC-DF (2022). Coordenadora do GEPAM - Grupo de Estudo e Pesquisa de Acessibilidade em Museus (2015-2022).
 

Pós-Doutora em Museologia pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia da USP, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, mestre em Ciência da Informação pela ECA-USP, especialista em Museologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e graduada em Educação Artística pela FAAP

 

Sobre a Pyramid
 

Fundada em 1989, na cidade de Leeds (Reino Unido), a Pyramid é uma organização dedicada ao desenvolvimento artístico de pessoas com deficiência intelectual, pessoas autistas ou pessoas que apresentam ambas as condições.
 

Sua missão é apoiar essas pessoas na descoberta das artes, no desenvolvimento de seus talentos e na construção de trajetórias como artistas de excelência, além de enfrentar as barreiras sociais e institucionais que impedem que sejam reconhecidas, apoiadas e celebradas por sua produção artística.
 

Para isso, a organização promove grupos colaborativos de criação artística — incluindo programas voltados a pessoas com deficiência intelectual profunda e múltipla —, além de oferecer acompanhamento criativo individualizado e oportunidades de desenvolvimento profissional para artistas.


Serviço:
 

Ateliê Aberto: Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea
Público: pessoas com deficiência intelectual e autismo, maiores de 18 anos, residindo em São Paulo
Vagas limitadas
Inscrições: de 17 de agosto de 2026, às 11h, até 4 de setembro de 2026, às 11h, em mam.org.br/educativo/atelie-aberto
Seleção: as inscrições serão avaliadas principalmente com base na manifestação de interesse e na amostra de produção artística apresentadas no formulário
 

Encontros: de 9 de outubro de 2026 a 14 de maio de 2027, às sextas-feiras, das 14h às 16h30
Local: Ateliê do MAM São Paulo (Parque Ibirapuera, acesso pelos portões 3 e 4 / Av. Pedro Álvares Cabral, s/n° - Vila Mariana, São Paulo)  
Participação gratuita 


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