Mostra Retrospectiva Ruy Guerra entra na reta final com programação que percorre sete décadas do cinema brasileiro
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CAIXA Cultural Curitiba reúne nesta semana clássicos, obras raras, adaptações literárias e filmes recentes do cineasta; retrospectiva termina no domingo (23), com exibição de Ternos Caçadores, O Veneno da Madrugada e Aos Pedaços
Os Cafajestes, longa de estreia de Ruy Guerra que marcou época, está na programação da Mostra e será exibido na sexta-feira (21), às 16h, na CAIXA Cultural Curitiba.
Foto: divulgação
A CAIXA Cultural Curitiba entra na reta final da Mostra Retrospectiva Ruy Guerra, que termina neste domingo (23), oferecendo ao público uma última oportunidade de acompanhar, na tela grande, parte significativa da trajetória de um dos nomes fundamentais do cinema brasileiro. Até o encerramento, a programação reúne 16 sessões, entre filmes de ficção e documentários, com destaque para clássicos como Os Fuzis, A Queda, Os Deuses e os Mortos e Ópera do Malandro, além do raro Ternos Caçadores, restaurado em 4K, e de A Fúria (2024), filme mais recente do diretor.
A retrospectiva, que começou no dia 12 de agosto, reúne 17 longas-metragens e dois documentários e percorre quase sete décadas da produção de Ruy Guerra. A programação desta segunda semana também permite revisitar diferentes momentos da carreira do cineasta, marcada pela crítica social e política, pela experimentação estética e pela relação com a literatura. Entre as obras estão adaptações de Gabriel García Márquez, Chico Buarque e Antonio Callado.
Quarta-feira (19): realismo mágico e música
Na quarta-feira (19), às 16h10, o público poderá assistir a Monsanto, produção portuguesa que acompanha um ex-combatente da Guerra Colonial confrontado com os traumas do passado durante as comemorações da Revolução dos Cravos. O filme aborda memória, violência e os efeitos duradouros da guerra.
Às 18h, será exibido Erêndira, adaptação de Gabriel García Márquez sobre uma adolescente submetida pela avó à prostituição para pagar uma dívida. A obra combina realismo mágico e crítica social e está entre as conhecidas aproximações de Ruy Guerra com a literatura do escritor colombiano.
Às 20h, Ópera do Malandro leva às telas a Lapa dos anos 1940 em uma história de contrabando, romance e corrupção inspirada no musical de Chico Buarque. Música, humor e crítica política se encontram em uma das produções de maior alcance popular da carreira do diretor.
Quinta-feira (20): política, poder e um dos clássicos do diretor
A quinta-feira (20) começa às 16h10 com Kuarup, adaptação do romance de Antonio Callado. O filme acompanha um padre enviado ao Xingu que passa por profundas transformações políticas e existenciais nos anos que antecedem o golpe militar de 1964, compondo um retrato das tensões sociais e culturais do Brasil.
Às 18h30, O Homem que Matou John Wayne, documentário dirigido por Bruno Laet e Diogo Oliveira, utiliza uma metáfora para abordar o pensamento e o universo criativo de Ruy Guerra, reunindo depoimentos de personalidades como Gabriel García Márquez, Chico Buarque e Werner Herzog.
Fechando a programação do dia, às 20h, Os Deuses e os Mortos leva o espectador à região cacaueira da Bahia dos anos 1930, em meio a disputas por terras, poder e vingança. Considerado pelo próprio Ruy Guerra seu melhor filme, o longa combina elementos épicos, políticos e poéticos.
Sexta-feira (21): estreia que marcou época e relações em crise
Na sexta-feira (21), às 16h, será exibido Os Cafajestes, longa de estreia de Ruy Guerra. O filme acompanha dois jovens da elite carioca que planejam chantagear uma mulher depois de fotografá-la nua. A obra marcou época e já apresenta temas que atravessariam a filmografia do diretor, como desigualdade social, violência e relações de poder.
Às 18h, Estorvo, baseado no romance de Chico Buarque, acompanha um homem perseguido por ameaças reais e imaginárias. A narrativa mergulha em um universo de paranoia e fragmentação psicológica.
Às 20h, será a vez de A Bela Palomera, adaptação de Gabriel García Márquez sobre o romance proibido entre um empresário e uma jovem casada que se comunicam por meio de pombos-correio. O filme mistura paixão, lirismo e realismo mágico.
Sábado (22): a trilogia dos Fuzis em uma mesma tarde e noite
O sábado (22) concentra três filmes fundamentais para compreender a trajetória política de Ruy Guerra. Às 14h30, será exibido Tempo Ruy, documentário de Adilson Mendes que percorre a trajetória artística do cineasta como diretor, escritor, poeta e dramaturgo, revelando aspectos de seu processo criativo e de sua influência no cinema brasileiro.
Às 16h, entra em cartaz Os Fuzis, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. O filme acompanha soldados enviados ao sertão nordestino para impedir que retirantes famintos invadam um depósito de alimentos. Considerado um dos grandes clássicos do Cinema Novo, denuncia a desigualdade social e a omissão do Estado diante da fome.
Às 17h40, A Queda, segundo capítulo da chamada Trilogia dos Fuzis, desloca a crítica social para o ambiente urbano ao acompanhar um operário da construção civil que enfrenta a exploração do trabalho após a morte de um colega em um acidente.
Às 20h, a trilogia chega ao seu capítulo final com A Fúria, produção de 2024. O personagem Mário retorna como uma figura fantasmagórica para enfrentar corrupção, autoritarismo e violência política no Brasil contemporâneo, em uma combinação de fábula, sátira e crítica social.
Domingo (23): três últimas sessões
O encerramento da retrospectiva acontece no domingo (23). Às 14h50, será exibido Ternos Caçadores, raro longa francês de 1969 recentemente restaurado em 4K. A história acompanha uma família isolada à beira-mar cuja rotina é transformada pela chegada de um prisioneiro fugitivo. A tensão psicológica e o simbolismo fazem da obra uma das produções menos conhecidas e mais singulares da carreira de Ruy Guerra.
Às 17h10, O Veneno da Madrugada, outra adaptação de Gabriel García Márquez, apresenta uma pequena cidade tomada pelo medo depois que bilhetes anônimos começam a revelar segredos e escândalos. Suspense e crítica social conduzem a narrativa.
A última sessão da mostra será às 19h30, com Aos Pedaços, livre adaptação da tragédia Medéia, de Eurípides. O filme acompanha um homem dividido entre duas mulheres chamadas Ana e que entra em uma espiral de paranoia após receber um bilhete anunciando sua morte.
A programação da segunda semana está distribuída entre terça e domingo, com sessões às 16h10, 16h30, 17h10, 17h40, 18h, 18h20, 18h30 e 20h, encerrando a retrospectiva com três filmes no dia 23.
Uma obra que atravessa gerações
A retrospectiva oferece uma oportunidade especialmente significativa no ano em que Ruy Guerra completa 95 anos. Nascido em Moçambique, o cineasta chegou ao Brasil em 1958, depois de estudar cinema em Paris, e participou da formação do Cinema Novo. Ao longo de quase sete décadas, construiu uma filmografia que atravessa diferentes países, gêneros e períodos históricos, mantendo como eixos recorrentes questões relacionadas à desigualdade, à violência, ao poder, à memória e à justiça social.
Além da produção cinematográfica, Ruy Guerra desenvolveu trabalhos como escritor, poeta e dramaturgo. Sua relação com a literatura está presente em diversos filmes da retrospectiva, entre eles Erêndira, A Bela Palomera e O Veneno da Madrugada, de Gabriel García Márquez; Ópera do Malandro e Estorvo, de Chico Buarque; e Kuarup, de Antonio Callado.
A mostra também permite observar como temas e inquietações se transformaram ao longo do tempo. De Os Fuzis, lançado em 1964, a A Fúria, de 2024, o diretor retoma questões políticas e sociais em diferentes contextos históricos, estabelecendo um diálogo entre passado e presente.
*Este projeto foi viabilizado com patrocínio da CAIXA.
Serviço
Mostra Retrospectiva Ruy Guerra
Quando: até 23 de agosto de 2026
Onde: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro
Ingresso: gratuito
Retirada: 60 minutos antes de cada sessão, na bilheteria do teatro
Capacidade: 123 lugares + 2 espaços para cadeirantes
Classificação indicativa: verificar a classificação de cada filme.
Mais informações:
CAIXA Cultural Curitiba
Telefone: 4501 8222

