Patricia Cipriano apresenta "O coração da boca é a língua" no Teatro Novelas Curitibanas em novembro

 Espetáculo autobiográfico une teatro, performance e audiovisual para reivindicar a construção de uma memória sapatão; temporada acontece de 5 a 15 de novembro, com entrada gratuita





Foto: Virginia Benevenuto

De 5 a 15 de novembro, a artista Patricia Cipriano faz curta temporada de "O coração da boca é a língua" no Teatro Novelas Curitibanas – Claudete Pereira Jorge. O trabalho parte de sua trajetória pessoal para colocar em cena questões sobre violência, memória, desejo e cuidado. Com dramaturgia e performance da própria artista, o espetáculo terá apresentações de quinta a domingo, às 20h, com entrada gratuita. A sessão do dia 12 contará com tradução em Libras.


O espetáculo nasceu da pesquisa de Cipriano sobre arte e dramaturgia sapatão. A partir da percepção da artista sobre a pouca presença de produções teatrais que coloquem experiências lésbicas no centro da cena, "O coração da boca é a língua" transforma vivências pessoais em material cênico, articulando autoficção e sonho como procedimentos para elaborar essas experiências.


Em cena, uma mulher descobre que é um bisonte ferido. Por meio de uma sucessão de sonhos e pesadelos, revisita histórias ligadas à descoberta de sua sexualidade e ao medo de viver o próprio desejo. A narrativa recupera lembranças de um amor na adolescência e o temor de decepcionar as pessoas que ama.


A história de quase extinção dos bisontes funciona como analogia às perseguições, às tentativas de apagamento e à resistência das comunidades sapatão. Na dramaturgia, a manada representa a possibilidade de superar a sobrevivência solitária por meio do encontro com outras sapatonas, com quem a personagem estabelece relações de pertencimento e cuidado.


Para Cipriano, a construção de uma memória sapatão passa pelo encontro entre experiências individuais e coletivas. "Sempre me perguntei como fazer com que uma experiência pessoal, que pertence a um corpo só, possa produzir outras possibilidades de existir a partir do encontro. Já precisei fugir muito e não acho que fui a única. Por isso, também me pergunto: como sair da lógica da fuga e entrar na experiência concreta do cuidado? Cuidar nunca é uma ação neutra, requer envolvimento", afirma. "Por isso, os bisontes me fascinam! Sabe o que tem de mais bonito nos bisontes? Quando eles se movimentam, seus corpos dispersam sementes que fertilizam o solo. Acho que é isso que a gente faz quando vive em bando", completa a artista.


A conversa proposta pelo espetáculo se estende para além da cena. Ao fim de cada apresentação da temporada, o público poderá participar de um bate-papo sobre as questões atravessadas pela obra. 


Projeto realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.


Sobre Patricia Cipriano

Patricia Cipriano é artista das artes da cena, do audiovisual e da produção cultural, com atuação no Paraná e em circuitos nacionais e internacionais. Atriz, figurinista e costureira, é graduada em Design de Moda e desenvolve uma prática marcada pelo encontro entre diferentes linguagens e pela pesquisa artística. Foi premiada com o Troféu Gralha Azul – Melhores do Paraná e com o Prêmio Técnicos e Técnicas da Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, além de acumular indicações ao Gralha Azul ao longo da carreira. Integra a rede Selvática e colabora com a Súbita Companhia de Teatro como atriz. Entre suas pesquisas autorais estão trabalhos voltados às artes sapatão e ao enfrentamento da violência de gênero, como "O coração da boca é a língua", desenvolvido desde a pandemia, e "Galope", seu primeiro solo em dança. No audiovisual, assina documentários e obras híbridas.


Sinopse

Por meio de uma sucessão de sonhos e pesadelos, uma mulher descobre que é um bisonte que sobrevive com uma flecha atravessada em seu corpo. Enquanto sonha, aprende a lidar com esse atravessamento e com um medo antigo que a acompanha desde a infância. No drible entre uma experiência e outra, realiza um desejo antigo e, mesmo vulnerável, encontra na manada que constrói com outras sapatonas uma possibilidade de pertencimento. "O coração da boca é a língua" é um espetáculo em que Patricia Cipriano utiliza a estrutura do sonho e da autoficção para abordar a violência e a vigilância contra corpos lésbicos, a construção da memória, a solidão, o prazer e o desejo. Ao mesmo tempo, responde de maneira afiada e cortante, como a ponta de uma lança, àquilo que busca controlar essas existências por meio do medo, propondo a criação de uma rede de afeto na qual seja possível descansar a cabeça nas mãos de outra pessoa.


Serviço

O coração da boca é a língua – Patricia Cipriano

5 a 15 de novembro, de quinta a domingo, às 20h

Teatro Novelas Curitibanas – Claudete Pereira Jorge (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222 – Curitiba/PR)

Entrada gratuita: ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação

Classificação: 18 anos

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: a apresentação de 12 de novembro contará com tradução em Libras

Bate-papo: após todas as apresentações


Mais informações: instagram.com/furiosasproducoes | instagram.com/flutuaproducoes 


Ficha técnica

Performance e dramaturgia: Patricia Cipriano

Orientação dramatúrgica: Sueli Araújo

Desenho e operação de som: Amira Massabki

Projeções: Amira Massabki

Iluminação e operação de luz: Semy Monastier

Interlocução artística: Juliana Adur e Ronie Rodrigues

Design gráfico: Pablito Kucarz

Intérprete de Libras: Nathan Sales

Redes sociais e criação de conteúdo: Gabriela Berbert

Assessoria de imprensa: Thays Cristine

Direção de produção: Gilmar Kaminski

Produção executiva: Dânatha Siqueira

Realização: Furiosas Produções

Produção: Flutua Produções

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