1. A fotografia transforma o Copan em cinema puro
Antes de ser diretora do longa-metragem, Carine Wallauer construiu uma trajetória como artista visual, fotógrafa e diretora de fotografia - e esse olhar aparece em cada enquadramento. O filme não se limita a registrar o prédio: ele observa suas curvas, seus vazios, seus corredores, suas frestas e seus habitantes como partes de um organismo vivo. Na tela grande, a arquitetura do Copan ganha escala, textura e presença. A câmera revela tanto a imponência dos 32 andares quanto os pequenos gestos de quem vive e trabalha ali. Carine recebeu por COPAN o prêmio de Melhor Fotografia de Longa Documentário 2026 pela ABC - Associação Brasileira de Cinematografia.
2. Um documentário premiado que fala do Brasil de hoje
Vencedor do É Tudo Verdade 2025, COPAN foi reconhecido pelo júri por sua ousadia formal, rigor estético, originalidade, precisão e delicadeza ao revelar conflitos contemporâneos. A eleição interna do condomínio, conduzida em paralelo à eleição presidencial de 2022, faz do filme um retrato sobre poder, democracia, convivência e disputa de narrativas. O longa chega aos cinemas em um momento político próximo àquele registrado pelas câmeras ao longo dos anos de filmagem: um período em que, como o atual, um Brasil polarizado politicamente voltava às urnas para decidir quem comandaria o país nos anos seguintes. Uma rachadura que reverberava, como hoje, nos mais diversos níveis de relações sociais, inclusive, dentro do próprio edifício, que também atravessava uma eleição acirrada para a escolha do síndico. Um reflexo que ainda se mostra muito atual diante da fragilidade democrática que se mantém no país. Em um único endereço, o documentário encontra um país inteiro em movimento.
3. A trilha sonora tem o DJ KL Jay (e pulsa junto com o prédio!)
A música original de COPAN é assinada por DJ KL Jay, ao lado dos filhos DJ Will e DJ Kalfani. A presença de KL Jay, fundador dos Racionais MC's e um dos maiores nomes da cena da música urbana brasileira, amplia a força sensorial do documentário e conecta o filme a uma São Paulo viva, pulsante e em constante movimento. KL Jay também é morador do COPAN e personagem do filme.
4. O edifício completa 60 anos em 2026
Símbolo modernista, o edifício concebido por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1966, no coração da Avenida Ipiranga, o Copan completa 60 anos em 2026. É o maior condomínio residencial da América Latina e funciona, no filme, como um microcosmo do Brasil contemporâneo. Do alto, suas curvas sinuosas contrastam com os múltiplos ângulos retos da paisagem de São Paulo. De frente, impressiona pelos 115 metros de altura, a maior estrutura de concreto armado do país. De dentro, revela a diversidade e as diferenças entre mais de 5 mil moradores.
5. Um retrato íntimo feito por quem conhece o prédio por dentro
Um dos grandes trunfos do filme está no acesso: Carine Wallauer morou no Copan por sete anos, o que permitiu uma aproximação rara com moradores, funcionários, bastidores e dinâmicas internas do edifício. A produtora Viviane Mendonça também vive no COPAN desde 2015. Esse olhar de dentro evita o cartão-postal óbvio. O filme revela o que existe por trás da fachada famosa e encontra humanidade onde muitas vezes só se vê concreto. A obra é visualmente impactante, politicamente afiada e cheia de personagens reais que parecem carregar, cada um à sua maneira, uma parte do Brasil dentro do prédio, conduzindo o espectador por espaços íntimos, restritos do edifício, não abertos à visitação do público. COPAN estreia em 28 de maio nos cinemas brasileiros com distribuição da Vitrine Filmes. |
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