Prevenção cardiovascular começa antes do diagnóstico
Pressão, glicemia, perfil lipídico e gordura abdominal ajudam a identificar fatores de risco que podem evoluir sem sintomas
As doenças cardiovasculares provocam cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e continuam entre as principais causas de óbito no país. No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o dado chama a atenção para uma etapa que antecede infartos, AVCs e outros problemas cardíacos: fatores associados ao risco cardiovascular podem surgir e se acumular ao longo dos anos, muitas vezes sem manifestações perceptíveis
Para Alexandre Duarte, médico, professor, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal, esperar um diagnóstico para discutir prevenção deixa de fora justamente o período em que mudanças no organismo podem ser identificadas e acompanhadas.
“A prevenção cardiovascular não começa quando alguém recebe o diagnóstico de hipertensão ou diabetes. Pressão, glicemia, colesterol, composição corporal e outros indicadores podem mudar progressivamente, e o que interessa é entender essa trajetória, não olhar apenas para uma fotografia do momento”, explica Duarte.
Essa avaliação ganhou contornos mais individualizados nos últimos anos. A Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 considera diferentes condições na estratificação do risco cardiovascular, entre elas hipertensão, diabetes, síndrome metabólica, adiposidade, doença renal crônica, tabagismo e histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
O que acompanhar ao longo da vida
A pressão arterial é um dos pontos de atenção porque níveis elevados mantidos ao longo do tempo aumentam a sobrecarga sobre vasos sanguíneos e coração. Como a hipertensão frequentemente não provoca sintomas, aferir a pressão regularmente pode revelar uma alteração que passaria despercebida no cotidiano.
A glicemia acrescenta outra informação, valores persistentemente alterados podem indicar problemas no controle da glicose e, dependendo da avaliação clínica, levar à investigação de pré-diabetes ou diabetes. O diabetes, por sua vez, é reconhecido como importante fator de risco cardiovascular.
“O perfil lipídico, metabólico e inflamatório também pesa nessa análise. Além de LDL, HDL e triglicerídeos, é essencial avaliar hemoglobina glicada, insulina, PCR, fibrinogênio e homocisteína. São esses marcadores que mostram o quanto a artéria pode estar sendo agredida.”
“Quando uma pessoa acompanha esses dados ao longo dos anos, o médico consegue perceber tendências. Uma glicemia que sobe progressivamente, uma pressão que deixa de permanecer nos níveis habituais ou mudanças no perfil lipídico não devem ser analisadas de maneira isolada”, aponta.
Outro indicador que merece atenção é a distribuição da gordura corporal. O acúmulo de gordura na região abdominal está relacionado a maior risco cardiometabólico e pode acrescentar informação que o peso isoladamente não mostra. Circunferência abdominal, gordura visceral, composição corporal e evolução do peso, portanto, precisam ser interpretadas junto aos demais achados.
Mais importante que um número isolado
É justamente a combinação desses fatores que ajuda a explicar por que duas pessoas da mesma idade e com peso semelhante podem apresentar riscos cardiovasculares diferentes. Histórico familiar, tabagismo, atividade física, alimentação, pressão arterial, presença de diabetes, função renal e perfil lipídico podem modificar essa avaliação.
Isso também evita outro problema: transformar qualquer alteração laboratorial em diagnóstico. Um resultado fora do intervalo esperado não determina sozinho a presença de uma doença nem significa necessariamente que haverá um evento cardiovascular.
“Prevenção não é pedir o maior número possível de exames. É saber quais informações fazem sentido para aquela pessoa, acompanhar a evolução e agir quando o conjunto mostra que existe risco modificável. A medicina preventiva precisa evitar tanto a negligência quanto o excesso”, afirma Duarte.
Os hábitos entram nessa equação porque interferem em diferentes componentes do risco. A Organização Mundial da Saúde relaciona alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo nocivo de álcool às doenças cardiovasculares. A entidade estima que essas enfermidades tenham provocado 19,8 milhões de mortes no mundo em 2022, aproximadamente 32% de todos os óbitos registrados naquele ano.
Quando procurar avaliação
Mesmo sem sintomas, o acompanhamento periódico é especialmente importante para quem tem histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou fatores de risco já identificados. Atividade física regular, alimentação adequada, abandono do tabagismo e controle da pressão fazem parte dos cuidados preventivos, enquanto a frequência de consultas e exames deve considerar idade, histórico e condição clínica.
“Não é preciso esperar dor no peito ou falta de ar para procurar avaliação. Por outro lado, quando sintomas como pressão ou dor intensa no peito, falta de ar ou sinais neurológicos súbitos aparecem, já estamos falando de uma situação que pode exigir atendimento imediato. Prevenção é justamente cuidar antes de chegar a esse ponto”, orienta Duarte.
A idade, portanto, não transforma prevenção em uma preocupação exclusiva de pessoas mais velhas. O acompanhamento ao longo da vida permite construir um histórico e identificar mudanças antes que diferentes fatores de risco se acumulem. A periodicidade dos exames, os marcadores necessários e eventuais intervenções dependem da condição clínica e devem ser definidos individualmente.
Para Duarte, essa mudança de perspectiva é uma das mensagens que o Dia Mundial do Coração pode deixar. “Cuidar do coração não começa quando aparece uma doença. Começa quando entendemos nossos fatores de risco, acompanhamos como eles evoluem e fazemos mudanças enquanto ainda existe espaço para prevenção. O sintoma não pode ser o ponto de partida”, conclui.
Sobre Alexandre Duarte
Dr. Alexandre Duarte é médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA.
Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.
Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
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Sobre o Instituto Avantgarde
Fundado em 2007 pelo Dr. Alexandre Duarte, o Instituto Avantgarde é referência em medicina metabólica e hormonal, com unidades em São Paulo e Florianópolis. A instituição nasceu a partir da busca por uma abordagem que investigasse as causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, indo além do tratamento isolado dos sintomas e priorizando a prevenção, a personalização do cuidado e a recuperação da saúde.
Integrante do Grupo Avantgarde, o instituto atua ao lado da Avantgarde College, escola de capacitação médica com cursos reconhecidos pelo MEC, e de outras iniciativas voltadas à saúde, longevidade e bem-estar. Ao longo de sua trajetória, o grupo já contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 40 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas como fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.
Com uma equipe multidisciplinar e uma abordagem baseada em ciência, investigação clínica e acompanhamento individualizado, o Instituto Avantgarde consolidou-se como um dos principais centros brasileiros dedicados ao tratamento das doenças metabólicas e hormonais, promovendo um modelo de medicina voltado à identificação das causas dos problemas de saúde e à construção de resultados sustentáveis para os pacientes.
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