Em Curitiba, Vocal Baobá traduz o Brasil com música e poesia
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O Brasil – com suas dores e cores, tragédias e conquistas, tristezas e alegrias – compõe a matéria-prima do espetáculo Raízes, criado pelo Vocal Baobá. O show será apresentado em Curitiba, no Teatro do Paiol, no dia 11 de setembro (sexta-feira), às 20 horas. A curadoria das composições percorreu um amplo espectro da música brasileira, entre 1967 e 2024, costurando memórias coletivas, vivências e traços da realidade cotidiana.
Com arranjos especialmente criados para o Vocal Baobá, o repertório traz canções assinadas por grandes nomes da MPB como Joyce Moreno, Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte, Emicida, Lenine, Dominguinhos, Gilberto Gil, Criolo, Breno Ruiz, Roberto Didio, Chico Buarque, Eduardo Gudin, Costa Netto, Ronaldo Bastos e Milton Nascimento. O espetáculo apresenta ainda uma canção inédita composta por Lucas Franco, regente do Baobá, e Murilo Silvestrim.
O repertório variado convida o público a refletir sobre as raízes que sustentam e entrelaçam as diferentes formas de ser e viver no Brasil. Os arranjos apresentam novas leituras para as canções, explorando harmonias que celebram o encontro de vozes, timbres e sonoridades, e também contribuem para manter viva a tradição dos grupos vocais na música brasileira.
Sobre o Vocal Baobá
Criado em 2022, o grupo é formado por mulheres unidas pelo amor ao canto e dedicadas ao estudo e à interpretação de canções da Música Popular Brasileira, especialmente composições que refletem a realidade do país, com um misto de lirismo, força e poesia.
Em sua atual formação, o Vocal Baobá é composto pelas cantoras Guta Arato, Manuela Kochinski e Rose Cipriano (sopranos), Bel Limongi e Olga Almeida (mezzo sopranos) e Maria Celeste e Tere Marfurte (contraltos).
A regência, os arranjos e a direção musical são de Lucas Franco, que também acompanha o Baobá ao piano. A sonoridade sutil da percussão é assinada por Luís Rolim, profissional com larga vivência na cena musical paranaense.
Serviço:
Vocal Baobá apresenta o espetáculo Raízes
Local: Teatro do Paiol, situado à rua Coronel Zacarias, nº 51, junto ao Largo Professor Guido Viaro, no bairro Prado Velho, em Curitiba.
Data e horário: dia 11 de setembro de 2026, às 20h. Sessão única.
Ingressos: R$ 15,00 (meia entrada) e R$ 30,00 (inteira), estão disponíveis pelo link https://comprenozet.com.br/eventos/raizes-vocal-baoba/
Faixa etária: Livre
Contato: (41) 3213-1340 – teatropaiol@curitiba.pr.gov.br
As canções de Raízes
Antonio /Ilha Brasil – As duas composições que abrem o espetáculo foram lançadas em 1996 por Joyce Moreno. Antonio é uma homenagem a Tom Jobim e fala do tema que mais encantou o maestro ao longo da vida: a defesa da natureza brasileira e dos povos originários. Em Ilha Brasil, a composição de Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro revela um Brasil idealizado que, aos poucos, perde espaço para as mazelas do mundo moderno.
Canto das Três Raças – A composição de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro foi lançada em 1976 e eternizada na voz de Clara Nunes. Fala da formação do povo brasileiro e da tragédia representada pelo tráfico transatlântico de africanos e pela escravidão.
A Ordem Natural das Coisas – Apresentada como vinheta, a canção de Emicida e Damien Seth foi lançada em 2015. É uma crônica delicada que aborda a beleza do cotidiano.
Relampiano – Assinada por Lenine e Paulinho Moska, foi lançada em 1999. Trata da dura realidade vivida por crianças que enfrentam a pobreza e sobrevivem na periferia das grandes cidades brasileiras. O arranjo é assinado por Vicente Ribeiro e Lucas Franco.
Lamento Sertanejo – Com música de Dominguinhos e letra de Gilberto Gil, esta canção foi lançada em 1975. Aborda a dualidade entre o mundo urbano e o meio rural, revelando a solidão e o deslocamento do sertanejo nas grandes cidades.
Canção do Sal – Milton Nascimento lançou esta canção em 1967. Com lirismo e poesia, fala do cotidiano dos trabalhadores das salinas, numa rotina de sacrifícios por amor à família e pela busca da educação para os filhos.
Deuses Moleques e Capitães – A composição assinada por Lucas Franco e Murilo Silvestrim é inédita e será apresentada pela primeira vez num grande palco. Mostra a vida simples – e bela – de pescadores que tiram seu sustento do mar.
Cria de Favela – Criada originalmente como um funk, em 2019, traz a autoria de Criolo. Aborda a vida dos jovens nas favelas brasileiras com leveza e bom humor.
Brejo da Cruz – A canção de Chico Buarque, lançada em 1984, aborda um problema que ainda assombra parte da sociedade brasileira: a insegurança alimentar.
Desacalanta – Composta por Breno Ruiz e Roberto Didio, e lançada em 2024, é uma reflexão sobre como tratamos nossas cidades, para o bem e para o mal.
Assentamento – Chico Buarque lançou esta canção em 1997. Celebra o amor pela terra, o orgulho de ser agricultor e o sonho de ter um pedaço de chão para chamar de seu.
Verde – Traz a melodia de Eduardo Gudin e a letra de Costa Netto. Foi lançada em 1985 por Leila Pinheiro. Fala da defesa do meio ambiente e da luta imprescindível para salvar as nossas florestas.
Venas Abiertas – Inspirada no livro de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, esta canção de 1985, composta por Leo Sujatovich e Mario Schajris, tornou-se inesquecível na voz de Mercedes Sosa. Revela a luta pela liberdade dos povos latino-americanos, numa saga de coragem e resistência.
Nada Será Como Antes – A canção que fecha o espetáculo foi composta por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Lançada em 1972, reflete os sentimentos de incerteza, resistência e inquietude que caracterizaram o período da ditadura militar no Brasil.
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