NOLT e o conceito do "jovem de 60 anos" reposicionam o futuro da moradia e do investimento no Brasil

Com 1,4 bilhão de pessoas acima de 60 anos até 2030 e um mercado global de Senior Living projetado em US$ 389 bilhões até 2032, a longevidade deixa de ser tendência social para se consolidar como vetor estratégico de investimento e inovação imobiliária no Brasil.
A longevidade deixou de ser apenas um fenômeno demográfico para se tornar uma das principais forças de transformação econômica e urbana do século XXI. Até 2030, mais de 1,4 bilhão de pessoas terão 60 anos ou mais no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas.
No Brasil, esse grupo já representa cerca de 11% da população e cresce em ritmo acelerado, influenciando padrões de consumo, planejamento urbano, alocação de capital e o próprio mercado imobiliário.
Mais do que números, o envelhecimento populacional revela uma mudança sociocultural profunda. Pessoas maduras permanecem ativas por mais tempo, continuam trabalhando, viajando, criando vínculos sociais e fazendo escolhas baseadas em propósito e qualidade de vida. Ainda assim, grande parte das soluções residenciais disponíveis permanece ancorada em modelos pensados para famílias jovens ou, no extremo oposto, em estruturas assistenciais associadas à dependência.
Entre esses dois polos surge uma lacuna crescente: moradias capazes de acompanhar o envelhecimento de forma natural, preservando autonomia, convivência e pertencimento ao longo da vida.
É nesse contexto que ganha força o conceito de NOLT (New Older Living Trend). Mais do que uma tendência imobiliária, o NOLT interpreta uma transformação já reconhecida por entidades internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OECD: a necessidade de repensar cidades, moradias e comunidades para uma sociedade mais longeva.
Iniciativas globais como a Década do Envelhecimento Saudável das Nações Unidas (2021–2030) defendem uma abordagem baseada no ciclo completo da vida, na qual ambientes físicos e sociais especialmente a habitação desempenham papel central na manutenção da autonomia, da participação social e da qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Nesse sentido, o NOLT parte do princípio de que envelhecer é um processo contínuo e que a moradia deve evoluir junto com essa jornada, aproximando o mercado imobiliário das diretrizes internacionais de age-friendly environments e do conceito amplamente adotado de ageing in place, que busca permitir que pessoas envelheçam com independência dentro de suas próprias comunidades.
O NOLT evidencia uma desconexão crescente entre o estilo de vida das pessoas maduras, independentes, socialmente ativas e economicamente relevantes e um estoque imobiliário ainda pouco adaptado a essa realidade. Esse descompasso aponta para uma oportunidade estrutural ainda pouco explorada no Brasil.
É a partir dessa leitura que surge a Söderhem, empresa sueco-brasileira dedicada a traduzir os princípios da longevidade em estratégia imobiliária, arquitetura e conceito urbano. Inspirada em experiências escandinavas, especialmente da Suécia, referência internacional em qualidade de vida e planejamento de longo prazo, a empresa desenvolve empreendimentos pensados desde a origem para acompanhar o envelhecimento natural das pessoas, sem institucionalizar o morar ou romper estilos de vida.
“A longevidade deixou de ser um tema do futuro. Ela já está reorganizando decisões de investimento, planejamento urbano e expectativas de moradia”, afirma Daline Hällbom, CEO da Söderhem. “Não se trata de criar lugares para quando algo falta, mas de desenhar moradias que acompanhem a vida enquanto ela continua ativa e plena.”
No cenário internacional, o mercado de Senior Living deve crescer de aproximadamente US$ 260 bilhões em 2025 para cerca de US$ 389 bilhões até 2032. Historicamente associado a modelos assistenciais, o setor passa agora por uma evolução conceitual, ampliando o foco para autonomia, prevenção, comunidade e bem-estar contínuo.
O primeiro projeto da Söderhem está em desenvolvimento em Florianópolis, cidade que combina infraestrutura urbana, natureza e qualidade de vida e vem se consolidando como destino de pessoas maduras em busca de novos modos de viver.
Para o setor imobiliário, a longevidade representa mais do que um novo nicho: trata-se de uma nova fronteira de valor, com impactos diretos na concepção de produtos, na valorização de ativos e nas estratégias de investimento de longo prazo.
“A longevidade bem planejada gera valor econômico, social e urbano. O NOLT não aponta para uma tendência passageira, mas para uma transformação estrutural sobre como moramos e, consequentemente, como investimos ao longo da vida”, conclui Daline.
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