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O problema das canetas emagrecedoras começa depois da aplicação


 

Venda de medicamentos para emagrecimento cresce 78% em quatro anos e acende alerta sobre descarte incorreto e impacto ambiental

O crescimento acelerado do uso de canetas injetáveis para emagrecimento e controle metabólico abriu uma nova discussão no setor de saúde e meio ambiente: o descarte correto desses materiais.

Compostas por plástico, mecanismos eletrônicos em alguns modelos, agulhas e resíduos farmacológicos, as canetas passaram a gerar um volume significativo de resíduos domésticos que ainda não possuem orientação amplamente difundida entre os consumidores.

O avanço desses medicamentos já é percebido diretamente no mercado brasileiro. Segundo levantamento da Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Abafarma), com dados da IQVIA, as vendas de medicamentos para emagrecimento cresceram 78,3% entre 2021 e 2025 no varejo farmacêutico nacional, saltando de 4,1 milhões para 7,3 milhões de unidades comercializadas. O maior avanço ocorreu somente em 2025, com alta de 39,1% sobre o ano anterior.

A especialista em compliance regulatório e ambiental Renata Machado Lima Donnici alerta que o problema vai além do medicamento. “As pessoas olham apenas para o tratamento, mas existe toda uma cadeia de resíduos sendo produzida diariamente dentro das casas”, afirma.

Segundo ela, grande parte dos usuários ainda descarta esses materiais no lixo comum sem saber os riscos envolvidos. “Quando falamos de seringas, agulhas e resíduos farmacêuticos, estamos falando de materiais que precisam de manejo específico para evitar contaminações ambientais e riscos sanitários”, explica.

O tema ganhou força após o aumento da circulação desses medicamentos no Brasil e também do crescimento de apreensões irregulares realizadas pela Receita Federal. Além da discussão sobre consumo, especialistas começam a observar o impacto ambiental gerado pelo descarte inadequado desses produtos.

Renata explica que muitos resíduos farmacêuticos ainda são destinados à incineração tradicional, método utilizado há décadas pelo setor. No entanto, tecnologias mais sustentáveis vêm ganhando espaço, como o coprocessamento, técnica que utiliza resíduos como fonte energética em processos industriais.

 

“Hoje já existem alternativas mais sustentáveis do que simplesmente gerar cinzas e enviar resíduos para aterros perigosos. O grande desafio ainda é ampliar estrutura, rastreabilidade e conscientização”, afirma.

 

 

Ela destaca que a falta de orientação ao consumidor é um dos maiores gargalos atuais. “Muita gente sequer sabe que muitas farmácias hoje já possuem pontos de coleta e que podem receber medicamentos vencidos, avariados e resíduos farmacêuticos entre outros. Esse desconhecimento é muito comum”, diz.

Para a especialista, o avanço desses tratamentos exige uma nova discussão sobre responsabilidade ambiental dentro da saúde. “O avanço dessas terapias exige que saúde pública, sustentabilidade e educação ambiental passem a caminhar juntas dentro das residências” conclui.

 

Sobre

Renata Machado Lima Donnici é especialista em compliance regulatório e ambiental, com formação em Farmácia e mais de 12 anos de experiência na indústria farmacêutica. Atua com gestão sustentável de resíduos farmacêuticos, governança, operações industriais e compliance ambiental. É fundadora da MLD Pharmaceutical Waste Solutions, nos Estados Unidos, com foco em soluções sustentáveis para resíduos da área da saúde.

 


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