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16ª Bienal de Curitiba aproxima mundos na Sala 1 do MON

 



Exposições de artistas do Brasil, Colômbia, Bolívia e Macau ampliam o diálogo internacional da Bienal, que levou mais de 4 mil pessoas ao Museu Oscar Niemeyer só no último domingo

Curitiba, junho de 2026 | A resposta do público à 16ª Bienal Internacional de Curitiba confirma a força da arte como espaço de encontro e reflexão. Apenas no último domingo, mais de 4 mil pessoas passaram pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), impulsionadas pela entrada gratuita e por uma programação que reúne artistas dos cinco continentes em torno do tema LIMIARES. Entre os núcleos que mais sintetizam esse diálogo está a Sala 1, onde três exposições aproximam tecnologia, ancestralidade, linguagem e meio ambiente por diferentes caminhos.

Com conceito curatorial de Adriana Almada e Tereza de Arruda, a Bienal parte da ideia dos limiares como espaços de transição, nos quais fronteiras entre natureza e tecnologia, memória e futuro, humano e inteligência artificial deixam de ser fixas para se tornarem zonas de convivência.

É justamente essa percepção que organiza a Sala 1. A primeira mostra, "Matéria, Corpo e Linguagem", reúne três artistas mulheres de Macau, região administrativa da China, em uma parceria inédita entre a Bienal de Curitiba e a Bienal Internacional de Arte de Macau, reforçando o intercâmbio cultural entre Brasil e Ásia.

As obras de Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan abordam questões urgentes da contemporaneidade: a vigilância digital, a preservação das identidades culturais e os impactos da inteligência artificial sobre a linguagem e a percepção humana.

"Como nos mantemos humanos quando a tecnologia reconfigura a percepção, a linguagem e a identidade?", sintetiza o texto curatorial de Margarida Saraiva, responsável pela seleção das obras em parceria com Tereza de Arruda.

Um dos trabalhos mais interativos da Bienal está justamente nessa exposição. Em Fragmentos do Tempo - Teatro do Rosto, Gao Fuyan convida o visitante a participar da obra: seu rosto é capturado, projetado, impresso e, em seguida, triturado diante de seus olhos. O gesto transforma a imagem em matéria efêmera e lança uma pergunta inevitável sobre identidade, memória e vigilância em uma época marcada pelo reconhecimento facial e pela circulação incessante de dados.

Avançando pela sala, também nesta reflexão tecnológica, a videoinstalação "El Mato", do artista colombiano Camilo Echeverri, desloca o olhar para outro tipo de fronteira: aquela entre a floresta e os algoritmos. Desenvolvido a partir de viagens à Amazônia, o projeto reúne vídeo, desenho, pintura e inteligência artificial para investigar como a natureza continua existindo em um mundo cada vez mais mediado por imagens digitais.

Sem nostalgia ou idealização, a obra propõe uma questão que permeia toda a Bienal: o que permanece vivo quando quase tudo já foi traduzido em imagens? "Entre a selva e o algoritmo, o observado, o imaginado e o gerado começam a se sobrepor", observa a curadora Adriana Almada.

A terceira exposição da Sala 1 apresenta a artista boliviana Sandra De Berduccy | aruma, pesquisadora e tecelã que aproxima saberes ancestrais andinos das linguagens contemporâneas. Em "aruma: O têxtil resplandecente", o tecido deixa de ser apenas matéria para tornar-se tecnologia do conhecimento. Utilizando técnicas tradicionais de tecelagem, sensores e recursos digitais, a artista cria instalações interativas que revelam fluxos invisíveis de energia e interdependência. Para a curadora Valentina Montero, a obra propõe uma revisão profunda da própria ideia de tecnologia.

"O tear aparece como uma sofisticada tecnologia social e simbólica, capaz de desfazer as antigas divisões entre arte e artesanato, natureza e tecnologia, ao mesmo tempo em que imagina outras formas possíveis de construir conhecimento."

Embora distintas em linguagem e origem, as três exposições compartilham uma mesma inquietação: compreender como seguimos produzindo vínculos em um mundo cada vez mais impactado por dispositivos tecnológicos. Na Sala 1, a Bienal demonstra que a tecnologia não é apenas uma ferramenta do presente. Ela pode nascer de um algoritmo, de um tear ancestral, de uma língua ameaçada de desaparecer ou mesmo do encontro entre um rosto e uma máquina. É justamente nesses espaços híbridos - entre o orgânico e o artificial, entre tradição e inovação - que a arte contemporânea consegue provocar o espectador. 

SERVIÇO

16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES

Sala 1 – Museu Oscar Niemeyer (MON)

Exposições:

"Matéria, Corpo e Linguagem"

"El Mato", de Camilo Echeverri

"aruma: O têxtil resplandecente", de Sandra De Berduccy

Visitação: Até 15 de novembro de 2026

Museu Oscar Niemeyer - Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico – Curitiba

Ingressos
R$ 36 (inteira)
R$ 18 (meia-entrada)
Gratuito às quartas-feiras e último domingo de cada mês.

Mais informações
@bienaldecuritiba
www.bienaldecuritiba.org

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