Um olhar para a exposição "Para Crianças" |
"Para Crianças: experiências com a arte desde 1968" é fruto de uma colaboração inédita com o museu Haus der Kunst, de Munique, na Alemanha. A exposição coletiva convida visitantes de todas as idades e vivenciarem o potencial criativo das infâncias a partir de obras de 11 artistas de vários lugares do mundo. |
A mostra toma o museu como ponto de partida para a construção de um espaço de convivência entre gerações. |
Divisor (1968), de Lygia Pape, é a obra mais antiga em exibição. Criada no auge da contracultura no mundo e da ditadura militar no Brasil, essa ação coletiva inicia a cronologia de uma história que a mostra aborda. O subtítulo da mostra, "Experiências com a arte desde 1968", se refere a esse marco, quando diversos artistas e movimentos questionaram as estruturas sociais e saíram em defesa de liberdade de pensamento e expressão para todas as pessoas. |
Em cartaz até 18 de outubro de 2026 | Edifício Pina Contemporânea |
Obras para interagir e obras para observar |
A exposição reúne tanto obras interativas quanto trabalhos que convidam as crianças à contemplação, sem necessidade de intervenção. |
Em Goodness and Disaster (2025), Agus Nur Amal PMTOH apresenta uma instalação composta por brinquedos, ferramentas e objetos do cotidiano, reunidos para transformar o trauma de um grande tsunami que atingiu sua comunidade, na ilha de Weh, na Indonésia, em 2004. Há também um registro em vídeo da performance Parachute (1973), realizada por Ana Mendieta junto aos seus alunos quando a artista atuava como professora da educação infantil nos Estados Unidos. |
Logo na entrada da exposição está Mega Please Draw Freely (2025), de Ei Arakawa-Nash. Nesta obra, o chão do museu vira uma superfície onde crianças e adultos podem desenhar. A criação é coletiva e constante, fazendo com que a composição siga se transformando ao longo da mostra. No percurso também podemos entrar em um coração e fazê-lo vibrar ao som de um tambor! Essa é a escultura têxtil de Ernesto Neto, chamada Circleprototemple...! (Leviathan Thot) (2010). |
Caixa de areia (2026), desenvolvida por Graziela Kunsch, com arquitetura de Ariel Jacubovich e marcenaria pelo Ateliê Quero Quero, cria um espaço voltado à primeira infância, estimulando crianças menores a explorem livremente os materiais e o espaço. Assim como adultos são convidados a observar as crianças em Caixa de Areia, visitantes podem sentar-se e assistir ao conjunto de quatro vídeos da série Bedtime Stories (1976–77), de Harun Farocki. Neles, o cineasta investiga a construção da imagem em narrativas feitas por suas filhas. |
O artista Olafur Eliasson apresenta The Cubic Structural Evolution Project (2004), uma instalação composta por centenas de blocos modulares, semelhantes a peças de LEGO com as quais o público pode construir objetos, cidades e outras estruturas. |
Na animação Lake Valley (2016), Rachel Rose acompanha a história de uma criatura imaginária que reúne características de diferentes animais. Para as crianças que não quiserem parar, a obra O Nome do Medo (2017), de Rivane Neuenschwander, convida-as a vestir capas criadas a partir de relatos de outras crianças sobre seus medos. O percurso se expande com a obras Yto Barrada, Lyautey Unit Blocks (Play) (2010), um conjunto de grandes blocos de madeira que podem ser empilhados e reorganizados para formar letras e palavras. |
Ilha Weh, Indonésia, 1969 |
Estudou teatro no Instituto de Artes de Jacarta, na Indonésia. Em sua terra natal, a Ilha Weh, aprendeu a tradição de narração de histórias PMTOH. Suas obras abordam questões sociais, políticas e ambientais. |
Havana, Cuba, 1948 - Nova York, Estados Unidos, 1985 |
A artista e educadora Ana Mendieta nasceu em Havana, capital de Cuba, e ainda criança precisou se mudar para os Estados Unidos. Ela cresceu sentindo saudade de sua terra e pensando muito sobre quem ela era e de onde vinha. |
Ernesto Neto é um artista que cria obras gigantes nas quais as pessoas podem tocar, entrar e inclusive caminhar por dentro. Ele usa tecidos macios, redes, especiarias cheirosas e até frutas para construir suas instalações. |
Em vez de criar sozinho, Ei Arakawa-Nash convida amigos, músicos, dançarinos e até o público para participar de seus trabalhos, como em uma grande brincadeira coletiva. Suas obras misturam pintura, escultura, instalações, música e teatro. |
Desde que sua filha nasceu, Graziela passou a observar os movimentos dos bebês e a criar espaços para eles brincarem e serem cuidados. Sua obra é uma proposta para crianças pequenas vivenciarem descobertas sem precisar de adultos. |
Novy Jicin, República Tcheca, 1944 - Berlim, Alemanha, 2014 |
Harun foi um cineasta e artista que gostava de fazer perguntas importantes sobre as imagens do cotidiano, televisão, cinema e computadores. Fez mais de 100 filmes e criou instalações com vários vídeos ao mesmo tempo. |
Nova Friburgo, RJ, 1927 Rio de Janeiro, RJ, 2004 |
Lygia gostava de criar obras que convidavam as pessoas a participar, brincar e pensar juntas. Sua obra Divisor (1967) parece uma brincadeira, mas também mostra como podemos ser diferentes e, ao mesmo tempo, estar conectados. |
Copenhague, Dinamarca, 1967 |
Olafur mistura arte, ciência e arquitetura para que as pessoas não apenas olhem para seus trabalhos, mas caminhem por eles e os sintam, enquanto pensam sobre o planeta e sobre as mudanças que acontecem na natureza.
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Artista plástica e cineasta que faz vídeos e instalações cheios de histórias incríveis e imagens coloridas que parecem mágicas. Ela gosta de misturar arte visual, livros, filmes e ciência para mostrar questões sobre o mundo.
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Mistura instalação, pintura, vídeo e performance, lançando mão de coisas do dia a dia, como papel, água, poeira, fita adesiva e até elementos que mostram a passagem do tempo. Gosta de transformar materiais delicados em experiências cheias de imaginação. |
Yto faz perguntas importantes sobre o mundo e costuma falar sobre Tânger, cidade no Marrocos onde cresceu, as relações de poder entre a França e o país africano e sobre como isso aparece na arquitetura de cidades marroquinas. |
CADERNO DE ATIVIDADES DA EXPOSIÇÃO |
Pensado a partir das obras da mostra, a publicação convida crianças (e pessoas adultas!) a brincar com a arte. A cada página, poderão ler sobre artistas e experimentar técnicas, materiais e situações que podem encontrar no museu, em casa ou em qualquer outro lugar. Inclui cartaz oficial da exposição! |
Para visitar a exposição com conforto, tranquilidade e segurança, os ingressos para sábados, domingos, feriados e o mês de julho serão disponibilizados para períodos de 1h30, com capacidade limitada de visitantes. Nos demais dias, a exposição poderá ser visitada livremente, entre 10h e 17h (permanência até 18h). |
Imagens, em ordem de exibição: 1. Criança de frente para obra de Marcelo Nitsche, Documentação da proposta artístico-educativa A Criança e o artista, realizada em 1977. Foto: Levi Fanan, 2026. 2. Visitantes e artista na obra Goodness and Disaster, 2025, Agus Nur Amal PMTOH. Foto: Levi Fanan, 2026. 3. Crianças na obra Circleprototemple...! (Leviathan Thot), 2010, Ernesto Neto. Foto: Levi Fanan, 2026. 4. Crianças na obra Caixa de areia, 2026, Graziela Kunsch. Foto: Levi Fanan, 2026. 5. Visitantes interagindo com obra The Cubic Structural Evolution Project, 2004, Olafur Eliasson. Foto: Levi Fanan, 2026. 6. Sala com obra O Nome do Medo, 2017, Rivane Neuenschwander. Foto: Levi Fanan, 2026. 7. Sequência de três fotos: (1) detalhe da obra Goodness and Disaster, Agus Nur Amal PMTOH, (2) Ana Mendieta, (3) Ernesto Neto. Fotos do acervo pessoal, cortesia dos artistas e familiares. 8. Sequência de três fotos: (1) Ei Arakawa-Nash, (2) Graziela Kunsch, (3) Harun Farocki. Fotos do acervo pessoal, cortesia dos artistas e familiares. 9. Sequência de três fotos: (1) Lygia Pape, (2) detalhe da obra The Cubic Structural Evolution Project, Olafur Elíasson. (3) Rachel Rose. Fotos do acervo pessoal, cortesia dos artistas e familiares. 10. Sequência de três fotos: (1) Rivane Neuenschwander, (2) Yto Barrada. Fotos do acervo pessoal, cortesia dos artistas e familiares. |
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