A lenda reinventada: 5 motivos para assistir A Morte de Robin Hood nos cinemas a partir desta quinta-feira (13)

 

Do grande elenco aos efeitos práticos sem CGI, veja por que o novo filme da A24, distribuído pela Imagem Filmes, é perfeito para as telonas.

Da A24, A Morte de Robin Hood estreia nesta quinta-feira, 13 de agosto, nos cinemas com distribuição da Imagem Filmes. Dirigido por Michael Sarnoski ('Pig', 'Um Lugar Silencioso: Dia Um'), o longa reimagina de forma crua e subversiva os últimos anos de vida do herói mais famoso da Inglaterra medieval, vivido por Hugh Jackman ao lado de Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett, Noah Jupe e Faith Delaney.sidera, pela primeira vez, a possibilidade de ser bom.

No lugar do fora da lei generoso que rouba dos ricos, o filme apresenta um velho guerreiro encurralado pelo próprio passado de violência, que sobrevive por pouco a uma última batalha e é acolhido em um priorado isolado pela Irmã Brigid. É dessa inversão que nasce toda a proposta do longa, construída com película, próteses artesanais e locações reais na Irlanda do Norte.

Confira cinco motivos para conferir essa história na tela do cinema:

Reinventando a lenda
O ponto de partida de Sarnoski é uma balada medieval pouco conhecida sobre a morte de Robin Hood, que ele leu ainda menino, em um livro presenteado pelo diretor da escola onde estudava. Na história original, o herói nobre é traído e morto por uma prioresa cruel. O filme inverte os papéis: aqui, Robin é o algoz e a prioresa, a chance de salvação. "Ela sempre foi retratada como essa figura maligna que mata o herói benevolente. Achei interessante virar isso do avesso e examinar a relação dos dois naquele quarto silencioso, no fim da vida dele", conta o diretor.

A ambientação segue a mesma lógica de despir o mito. O filme é ambientado por volta de 1247, apresentando Robin como um homem recluso e envelhecido que vive nas margens de uma terra devastada, caçado como pária e esperando um fim que já deveria ter chegado. Nada de festas na floresta: a violência aqui é crua. "A gente tem essa ideia de Robin Hood dançando pela floresta com seus companheiros, mas a vida naquela época não era assim. Camponeses se espancavam até a morte com pás", diz Sarnoski. "Me perguntei qual seria a versão de Robin Hood mais verdadeira e honesta em relação à aspereza da vida no século 13."

Hugh Jackman de volta ao seu lado sombrio
Não é a primeira vez que Jackman aceita levar um herói lendário até os seus limites. O ator já entregou alguns de seus trabalhos mais celebrados justamente aí, no homem grisalho, ferido e cansado da própria violência, como em 'Logan' e 'Os Suspeitos'. A Morte de Robin Hood o devolve a esse território e leva o registro ainda mais longe: aqui não há heroísmo a ser recuperado, apenas um fora da lei que sobrevive por pouco a uma batalha e tenta fazer as pazes com o próprio passado. "O que vemos é um retrato bonito e muito humano da totalidade da vida de Robin. A escuridão, o arrependimento, a dor, a perda", diz Hugh Jackman.

Para chegar lá, o ator passou por uma transformação física intensa. A figurinista Lorna Marie Mugan ('Peaky Blinders') trabalhou com a equipe de cabelo e maquiagem para construir um homem castigado pelo tempo, com direito a um pesadíssimo casaco de eremita. É uma atuação que se sustenta no corpo e no olhar, algo que ganha outra dimensão em uma tela de cinema.

Um elenco de peso reunindo diferentes gerações
Ao redor de Jackman, Sarnoski montou um elenco que combina nomes consagrados e jovens talentos em ascensão. Jodie Comer, vencedora do Emmy® e do BAFTA® por 'Killing Eve' é a Irmã Brigid, a prioresa que acolhe Robin ferido e o obriga, pela primeira vez, a considerar a possibilidade de ser bom. Bill Skarsgård, conhecido por 'IT: A Coisa' e 'Nosferatu', é Pequeno João, o antigo parceiro de crimes descrito pelo diretor como uma mistura de inocência infantil e ferocidade animalesca. O australiano Murray Bartlett, vencedor do Emmy® por 'The White Lotus' e indicado por 'The Last of Us', vive como um homem enigmático e coberto por bandagens que habita o priorado e guarda um segredo por trás de sua história.

Completando o time, dois dos jovens atores mais promissores do Reino Unido, ambos vindos de 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet', indicado ao Oscar®. Noah Jupe ('Um Lugar Silencioso', 'Ford vs Ferrari') é Arthur, um adolescente que sobreviveu à última batalha de Robin e chega ao priorado movido pela vingança. Faith Delaney interpreta a Pequena Margaret, uma menina traumatizada cuja pureza desarma o guerreiro e o obriga a encarar o que ele mesmo fez.

Um visual construído artesanalmente
Sarnoski e o diretor de fotografia Pat Scola ('Sing Sing') rodaram o filme inteiramente em película, fugindo do visual "limpo" do digital. A cor acompanha a jornada do personagem, dos cinzas frios do mundo violento de Robin ao calor que surge no priorado. "Assim que chegamos ao priorado, a cor volta a brilhar na tela, enquanto a vida de Robin muda e ele começa a se curar fisicamente", explica Scola. Até o formato da tela muda no meio do filme, do widescreen épico da primeira metade para um enquadramento mais fechado e íntimo depois que Robin é ferido. Tudo capturado em locações reais na Irlanda do Norte, a mesma região onde foi filmada a primeira temporada de 'Game of Thrones', com cenários desenhados à mão pelo designer de produção David Lee ('Watchmen'). A imersão se completa na trilha do músico folk britânico Jim Ghedi, que assina aqui seu primeiro trabalho para o cinema e empresta a própria voz a todas as canções do filme.

Efeitos práticos e quase nada de CGI
Toda a brutalidade da primeira metade do filme foi construída no set, sem computação gráfica. Os designers de próteses Clare Ramsey e Josh Weston, este último parte da equipe vencedora do Oscar® por 'Pobres Criaturas', criaram na prática as flechas atravessando corpos e os ferimentos em diferentes estágios de cicatrização que marcam as sequências de abertura. Até a caracterização do personagem vivido por Murray Bartlett foi feita exclusivamente com próteses. "Fizeram todo o trabalho no rosto dele sem usar nenhum VFX", conta Sarnoski.

As cenas de sangria entre Brigid e Robin, imagem central da balada que inspirou o filme, também foram capturadas sem truques de edição, com bolsas e tubos escondidos sob o corpo de Jackman. O compromisso com o artesanal vale para tudo: Bill Skarsgård ganhou enchimentos nos ombros e no peito para formar o guerreiro colossal que é Pequeno João, e os arcos e armas foram construídos sob medida por Tommy Dunne, o mesmo armeiro de 'Game of Thrones' e 'Coração Valente'. Nada disso passou por um computador, e é justamente por isso que impressiona.

Assista ao Trailer

Sinopse:
Heróis se vão. Lendas são para sempre. Atormentado pelas cicatrizes de uma vida marcada pelo crime, Robin Hood (Hugh Jackman) sobrevive por pouco àquela que acreditava ser sua batalha final. Gravemente ferido, ele é encontrado por uma mulher misteriosa que o recolhe das sombras e passa a cuidar de seus ferimentos. Com o corpo fora de combate, cada erro cometido no passado volta para assombrá-lo.

Ficha técnica:
Direção: Michael Sarnoski
Roteiro: Michael Sarnoski
Produção: Aaron Ryder, Andrew Swett, Alexander Black, Hugh Jackman
Elenco: Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett, Noah Jupe
Direção de Fotografia: Pat Scola, ASC
Direção de Arte: David Lee
Montagem: Andrew Mondshein, ACE
Figurino: Lorna Marie Mugan
Trilha Sonora: Jim Ghedi
Casting: Nina Gold e Martin Ware

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