Contratar só pelo diploma ainda faz sentido? Empresas passam a olhar cada vez mais para as competências
Kauã Leandro, especialista em mercado de trabalho e gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR),
Com o mercado de trabalho aquecido e as profissões mudando em ritmo acelerado, empresas revisam critérios de seleção e dão mais peso às habilidades dos candidatos
O Brasil criou 767.326 empregos com carteira assinada entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Novo Caged. Apesar do saldo positivo, muitas empresas continuam enfrentando dificuldades para preencher vagas. O problema, cada vez mais, não é a falta de candidatos, mas encontrar profissionais com as competências que o mercado passou a exigir.
Esse cenário tem impulsionado um modelo de recrutamento conhecido como skills-first, no qual as competências técnicas e comportamentais ganham mais peso na seleção do que critérios tradicionalmente utilizados, como diploma, tempo de experiência ou cargos ocupados anteriormente.
A mudança acompanha a velocidade das transformações no mundo do trabalho. De acordo com o Future of Jobs Report 2023, do Fórum Econômico Mundial (WEF), 44% das habilidades consideradas essenciais deverão mudar até 2027. A expectativa é que o avanço da inteligência artificial, da automação e da digitalização continue alterando a forma como as pessoas trabalham e, consequentemente, o perfil profissional buscado pelas empresas.
Para Kauã Leandro, especialista em mercado de trabalho e gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR), o desafio das empresas hoje é identificar profissionais capazes de acompanhar esse ritmo.
"O diploma continua sendo importante em muitas profissões, mas sozinho já não responde às necessidades de um mercado que muda o tempo todo. As empresas têm buscado pessoas que aprendam rápido, saibam resolver problemas e consigam se adaptar a novos contextos. Essas competências passaram a fazer diferença no processo de contratação", afirma.
O currículo já não conta toda a história
A discussão também passa pela relação entre formação acadêmica e desempenho profissional. Levantamento do Burning Glass Institute mostra que parte dos profissionais graduados ocupa funções abaixo do nível de qualificação nos primeiros anos de carreira, indicando que o diploma nem sempre traduz as competências exigidas pelas empresas.
Ao mesmo tempo, cresce o número de organizações que flexibilizam exigências tradicionais para ampliar o acesso a talentos. Nos Estados Unidos, o Burning Glass Institute identificou aumento nas vagas que deixaram de exigir diploma universitário como requisito obrigatório, principalmente em áreas como tecnologia, atendimento, operações e funções administrativas.
Segundo Leandro, isso não significa que a formação acadêmica perdeu importância, mas que deixou de ser o único fator considerado. "Cada vez mais, o recrutamento busca entender o que o profissional é capaz de fazer na prática. Em um cenário de mudanças constantes, o potencial de desenvolvimento passa a ser tão importante quanto a experiência acumulada."
O papel do RH também muda
Essa transformação também amplia a responsabilidade das áreas de recursos humanos. Além de selecionar profissionais, o RH passa a investir em processos que consigam identificar competências de forma mais precisa e criar oportunidades para que elas continuem sendo desenvolvidas dentro das organizações.
Esse movimento também tem impacto na retenção de talentos. Segundo o Workplace Learning Report, do LinkedIn, 94% dos profissionais afirmam que permaneceriam mais tempo em uma empresa que investisse no desenvolvimento de suas habilidades.
Na avaliação de Leandro, essa tendência deve se consolidar nos próximos anos. "As competências têm um ciclo de renovação cada vez mais curto. Por isso, mais do que contratar para atender uma necessidade imediata, as empresas precisam pensar em como desenvolver continuamente seus profissionais. O aprendizado deixou de ser um diferencial e passou a fazer parte da estratégia do negócio."
À medida que novas tecnologias transformam as profissões, especialistas avaliam que contratar olhando apenas para o currículo tende a fazer cada vez menos sentido. O desafio passa a ser identificar profissionais preparados para aprender, evoluir e acompanhar um mercado em constante mudança.
Trabalha Brasil
O Trabalha Brasil é composto por um time de mais de 100 profissionais de tecnologia e Recursos Humanos, que se dedicam para aprimorar a plataforma que atende cada vez mais as necessidades dos trabalhadores, que buscam dignidade financeira por meio do trabalho.


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