O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro e foi instituído pela Lei nº 11.584/2007. A data amplia a oportunidade de falar sobre o tema e conhecer as diferentes etapas que envolvem a doação de órgãos e tecidos. No Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), integrante da HU Brasil, diferentes profissionais e serviços participam dessa rede de cuidado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A doação de órgãos envolve diferentes etapas e profissionais, desde a identificação de um potencial doador até a captação e o encaminhamento dos órgãos e tecidos para transplante. No Brasil, a doação de órgãos de pessoas falecidas depende da autorização da família. Por isso, conversar ainda em vida sobre o desejo de ser doador permite que essa vontade seja conhecida pelas pessoas próximas.
Conhecer a vontade da pessoa ainda em vida pode contribuir para a decisão da família quando a possibilidade de doação é apresentada. O diálogo também permite esclarecer dúvidas sobre o processo e combater informações equivocadas. Segundo a médica Valeria Patricia Vieira de Sousa, coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do CHC-UFPR/HU Brasil, é de extrema importância que se tenha uma conversa sobre doação de órgãos ainda em vida, de forma a expressar esse desejo aos familiares.
"Os únicos responsáveis pela autorização da doação de órgãos são os familiares do paciente. E estes, sempre tentam resgatar o que o paciente desejava e expressava em vida. Por isso a importância de se ter esta conversa previamente. O conhecimento prévio deste seu desejo pode ser fundamental na decisão dos seus familiares", comenta a médica.
A identificação de potenciais doadores envolve acompanhamento clínico e avaliação dos critérios para o diagnóstico de morte encefálica. "A e-DOT atua acompanhando todos os casos de pacientes em protocolo de morte encefálica, auxiliando as equipes assistenciais durante o processo, acolhendo os familiares e sanando as dúvidas que possam surgir, além de atuar como ponte de comunicação entre o Hospital e a Central Estadual de Transplantes, que gerencia e coordena todo o processo de doação/captação. Além disso, a e-DOT também faz a avaliação dos potenciais doadores de córneas e tecidos internados no hospital", detalha Patricia.
A e-DOT do CHC-UFPR é composta, além da coordenadora Patricia, pelas enfermeiras Gabriela Rizério Leite e Haglaia Moira Oliveira. No CHC-UFPR/HU Brasil, em 2025, foram registradas 19 autorizações familiares para doação de órgãos. Em 2026, até o mês de agosto, de 11 entrevistas realizadas, oito foram favoráveis à doação.
Cada doador pode salvar várias vidas. Pode-se realizar captação de coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, ossos, tendões e pele. "No CHC-UFPR, contamos com os serviços de transplante hepático, renal e de córneas, além do transplante de medula óssea, que é intervivos", explica a médica coordenadora da e-DOT.
Protocolos
Após a confirmação da morte encefálica, a família é informada sobre a possibilidade de doação e recebe orientações durante as diferentes etapas do processo. Quando a família autoriza, os órgãos e tecidos passam por avaliação e são destinados conforme os critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.
"Em caso de dúvidas, tanto em relação ao diagnóstico de morte encefálica, quanto ao processo de doação, a orientação é buscar canais oficiais como a ABTO, Centrais Estaduais de Transplantes, ou as e-DOTS de hospitais que você conhece e frequenta", recomenda Patricia.
As campanhas como o Setembro Verde são muito importantes para desmistificar e esclarecer sobre o processo como um todo. E, para quem deseja ser doador, a orientação principal é a de conversar com familiares e pessoas próximas. Manifestar essa vontade em vida permite que a família conheça a decisão e possa considerá-la quando a possibilidade de doação for apresentada.
Sobre a HU Brasil
O CHC-UFPR integra a HU Brasil desde outubro de 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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